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LAVAGEM DO JEANS

LAVAGEM DO JEANS: ENTRE MAQUINÁRIOS E PROCESSOS MANUAIS

Calças no forno, lixas manuais e efeitos que variam entre resinado, marmorizado, corrosão, entre outros. A cada tendência, um novo processo manual ou por maquinário é criado para garantir ao jeans uma roupagem nova. Com máquinas de lavar, secadoras e 43 funcionários, a lavanderia goiana Work Jeans inova com uso de água da chuva e lenha retirada pela poda da prefeitura da capital. Por lá, pelos menos 8 mil peças, de 83 marcas diferentes, são lavadas todos os dias.
Antes de 1980, sem lavagem industrial, as peças em jeans tinham quase sempre a mesma tonalidade e nada de maciez. De lá para cá, entretanto,  muita coisa mudou e hoje, por exemplo, as calças vão até para o forno ganhar um efeito resinado, tendência forte em 2013. As cores também não se restringem mais ao azul escuro, porém se ampliam às colorações do verão e até mesmo às do inverno como bordô e petróleo.
Atuando no ramo há 10 anos, Tatiane Santos Nogueira explica que muitas das tendências vão e voltam. O que estava na moda há dois anos volta a fazer sucesso e uma mesma calça que era rosa pode ser pintada de azul novamente para que o cliente não perca vendas. “Usadas há pouco, no último verão, as peças com efeito Tie-Dye diminuíram em número de vendas. Com isso, muitas fábricas reencaminharam os produtos para a lavanderia. Usamos tintura e uma nova lavagem em azul tradicional para que voltem para o mercado”, completa Tatiane.

PROCESSOS

No total, a Work Jeans lava mais de 8 mil calças por dia em um processo que oscila entre manual e mecânico durando aproximadamente três horas por remessa. Isso, incluem as máquinas de lavar, centrifugar e secar. Tatiane afirma que, para cada estilo, é necessária uma lavagem especial.
“Hoje estamos fazendo muito o efeito marmorizado, no qual a peça é colocada em uma máquina com pedra e cloro. Temos outros efeitos como o bigode, que é feito de forma manual. Algumas calças prontas já estão retornando para aplicação de manchas douradas, geralmente usadas no réveillon”, acrescenta.
Outra situação frequente é a pintura do produto em cores mais ousadas como rosa, verde, laranja e amarela, por exemplo. Para isso, Tatiane explica que as peças devem chegar brancas para depois serem tingidas.

USO DA ÁGUA

Apesar de Tatiane atuar no mercado de lavanderia industrial há 10 anos, o marido, José Antônio Nogueira, já trabalha há 25 anos com os mesmos processos. Há um ano, foi montada a Work Jeans e o que eles perceberam, de imediato, foi um alto gasto com água. O fornecimento da Saneago era insuficiente e, dessa forma, eles tinham que comprar água de uma mina que era levada para o local com auxílio de um caminhão-pipa. Foi então que decidiram construir um sistema de calhas que armazena a água  da chuva e bombeia para a caixa d’água. “Nossa despesa diminuiu drasticamente. Hoje, usamos a água fornecida pela Saneago apenas para a cozinha da empresa. São oito mil peças lavadas por dia, é inviável pagar por tudo isso. Por fim, existe também uma preocupação ambiental”, garante.

MADEIRA REUTILIZADA

Apenas com a compra de lenha, a lavanderia gastava em torno de R$ 20 mil/mensais. O valor era alto e eles decidiram firmar um acordo com a Prefeitura de Goiânia para uso da madeira oriunda de poda. “Pagamos apenas o transporte do caminhão da prefeitura e, ao invés de jogarem a madeira no aterro sanitário, nós reaproveitamos. Além disso, compro madeiras de marceneiros, restos de armários, sobras, lascas. A redução de gastos foi alta e hoje pagamos cerca de R$ 1.800 por mês”, finaliza.

 

Texto: Catherine Moraes
Imagens: Thiago Felipe


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